quarta-feira, 16 de maio de 2012

Onde estás? Os problemas em fugir de um problema

No princípio, Deus amou. Por causa do Seu amor, Ele criou. No livro de Gênesis, Deus lança diversas afirmações comparadas ao som de uma orquestra. “Haja luz” (Gn. 1:3) foi a primeira afirmativa e, como uma nota musical, soou das cordas vocais do Criador em direção a terra. Logo em seguida, Deus ordenou: “haja uma expansão no meio das águas” (Gn. 1:6), e a melodia apressou-se em obedecer a ordem divina, separando águas e águas.

Nos primeiros dias da criação, cada palavra que fluía do coração de Deus desenhava formas e cores que enfeitavam a terra. Árvores, sementes, o sol, a lua e os animais, cada qual brotava de um novo acorde, despertados pelo som celeste. Surge o primeiro homem e, mais uma vez, são as cordas vocais do próprio Deus que se encarregam de anunciar o sonho uníssono da Trindade: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (Gn. 1:26). Da mesma boca sai o sopro vivificante, inaugurando a vida nos pulmões de Adão.

O sopro divino passeava pelo corpo do novo homem. Quando Deus decide criar a mulher, busca a matéria-prima na mesma região dos pulmões: “E da costela… formou uma mulher” (Gn. 2:22). Logo na criação, Deus já estabelecia a missão da mulher. Formada de uma costela – parte do corpo que tem a função de proteger, principalmente, o pulmão –, Eva já nascia com a incumbência de fornecer abrigo. Não foi à toa que Deus escolheu a mulher para carregar no ventre as vidas que haviam de existir, além de “programar” uma farta produção de leite no corpo feminino para o sustento de Seus filhos.

Pronto. Estava concluído o trabalho da criação.

De repente, um agudo estridente fere os ouvidos de Deus. A perfeita ordem de Sua melodia desafina com a chegada do pecado. Neste exato momento, após tantas afirmativas divinas, irrompe no Universo a primeira pergunta do Criador. Em Gênesis 3.9 vemos o primeiro ponto de interrogação vindo da parte de Deus: “Onde estás?”. A questão revela duas coisas bastante pertinentes: um Deus que se prontifica a resolver problemas e sai à procura daqueles que criou e ama intensamente e a nova imagem do homem (agora decaído), que foge e procura se esconder.

Já é conhecido por todos o que vem a seguir. As consequências da desobediência de Adão e Eva atravessaram séculos e continuam a fazer vítimas por meio do pecado. O que gostaria de chamar a atenção neste episódio tão antigo é a atualidade com que a postura adâmica se manifesta em nossas vidas. Basta aparecer um problema (seja o próprio pecado ou uma situação comum do dia a dia) e lá estamos nós, escondendo-nos atrás das árvores ou cobrindo-nos com folhas de figueiras.

Esse tipo de circunstância pode ser facilmente notado, por exemplo, quando existe a necessidade de perdão. Não é fácil romper a camada de orgulho que se formou após uma calorosa discussão, ainda mais quando, aparentemente, se tem a razão. É interessante pensar que quando Jesus falou a respeito de se perdoar setenta vezes sete (ao dia!) não disse nada sobre “depende de quem estiver com a razão”. Neste caso, como aconteceu com Adão e Eva, o casulo da fuga se apresenta como o abrigo mais atraente e seguro, mas torna-se um veneno mortal para o amadurecimento de uma vida em Deus.

Ao ignorar o problema ou, literalmente, fugir do lugar onde ele se encontra, a sensação que nos afeta é sempre a mesma: problema resolvido! Se a intenção é viver uma vida de aparências, esse é um bom mantra a ser repetido vida afora. Porém, se o desejo é conhecer uma realidade celestial, estamos falando de sacrifício e humildade – postura adotada por Deus no momento da queda. Quando é Ele quem se aproxima primeiro – “onde estás?” –, a humildade sobressai. O sacrifício também está implícito na ocasião, pois o Deus-Todo-Poderoso não poderia e nem deveria inclinar-se até nós. Mas Ele o fez, impregnado de um amor incondicional.

Crescer é caminhar pela porta estreita. Quando nos deparamos com um determinado problema e fugimos – contaminados pela covardia de Adão e Eva –, deixamos escapar a oportunidade de amadurecer nos caminhos de Deus. Quando Caim matou seu irmão Abel, a pergunta – mais uma vez – partiu de Deus: “Onde está Abel?” (Gn. 4:9). Caim jamais tocaria no assunto se Deus não o questionasse, pois é mais fácil esconder do que revelar.

Noé foi o primeiro homem que não fugiu de seu problema – e tinha um do tamanho de uma arca. Ouviu a ordem de Deus e sabia que a obediência ao pedido dEle lhe custaria ouvir as chacotas de seus contemporâneos. Ainda sim, obedeceu. Podia ter fugido ou se justificado numa desculpa até coerente para a época: a inexistência de chuva. Fico aqui pensando na coragem de Noé. Ir contra as leis físicas da natureza para cumprir uma gigantesca e trabalhosa ordem de Deus é realmente de se tirar o chapéu. Não foi à toa que Deus escolheu sua família para repovoar a terra.

A Bíblia está repleta de homens que encararam seus problemas e renunciaram a alternativa “fuja!” apresentada pelo pecado. Seguindo a ordem cronológica bíblica, nosso próximo personagem é Abraão. Correndo o risco de ver sua família acabar mesmo antes de surgir sua descendência – pois Sara poderia ter recusado a ordem divina, direcionada a seu marido, de partir “…para a terra que te mostrarei” (Gn. 12:1). Nesse caso, um problema conjugal seria previsível, mas não foi o que aconteceu. Sairia do ventre de Sara o filho da promessa, por isso mesmo foi Deus quem sustentou aquele matrimônio. Percebe? Quando nos inclinamos à vontade de Deus, nada está fora do lugar, tudo tem o seu propósito.

Poderia citar ainda outros exemplos, pois temos que concordar: a bíblia está cheia de homens com problemas. A promessa de Jesus em João 16:33 (“…no mundo tereis aflições”) foi anunciada muito tempo depois dos acontecimentos relatados em Gênesis, mas já estava sendo cumprida na vida de muitos personagens do Antigo Testamento. A promessa se fez presente também na vida dos apóstolos, do próprio Jesus e continuou sendo observada na vida de Paulo e tantos homens de Deus que ousaram viver o evangelho. Note que os problemas não são uma novidade para os filhos de Deus. Pela lógica divina, são até necessários para o desenvolvimento de uma vida santa. Resta-nos decidir o que fazer diante dos próximos problemas: resolver ou fugir. Deus, em seu imenso amor, continua a perguntar: “Onde estás?”.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O Filho Pródigo


O filho de um dos fundadores de uma organização terrorista. Um ambiente indissolúvel de guerra. Um povo ansioso pelo combate. Uma prisão. Depois uma escolha, depois outra, e outra. O mulçumano convicto que passa por duas conversões totalmente inesperadas é Mosab Hassan Yousef, o protagonista da história real narrada por ele mesmo no livro “O Filho do Hamas”, uma obra literária de tirar o fôlego.
Depois de ser o dedicado filho mais velho do xeique Hassan Yousef, Mosab, um jovem palestino que anseia seguir a carreira dedicada e religiosa do pai, decide se envolver na guerra em que todo o seu povo já está envolvido: militando contra Israel, que domina os territórios palestinos. Seu pai é um dos fundadores do Hamas, um movimento islâmico de resistência fundado em 1986, a partir de um encontro secreto com o objetivo de “mobilizar o povo palestino a fazê-lo entender a necessidade de independência sob a bandeira de Alá e do islamismo” (pg. 35). Como qualquer outro palestino, Mosab desejava ser um herói, ter armas, ser temido e defender a bandeira do seu povo. Por isso começou atirando pedras em colonos israelenses e depois de adquirir uma arma, foi parar na prisão. E recebeu uma proposta que mudou sua vida.
Em “O Filho do Hamas”, o leitor se depara com uma possibilidade duplamente milagrosa. Um palestino que aceita ser espião do Shin Bet – serviço secreto interno israelense. E que, depois de descobrir as boas intenções de Israel e a insanidade das facções terroristas, descobre a Bíblia e as palavras “amai vossos inimigos”. O resultado é sublime e assustador. Nas páginas escritas por Mosab, ficamos cara a cara com uma história de genuína conversão, com alguém que descobriu a verdade sobre seu povo, sua religião e, principalmente, sobre si mesmo.
É uma grande experiência mergulhar na vida deste palestino e acompanhar sua afeição pelo pai, a habilidade de, silenciosamente, salvar milhares de vida, a coragem de ter duas vidas perigosas ao mesmo tempo e, principalmente, sua grande sinceridade. Sinceridade é a palavra chave para esta obra e para seu autor. No livro, Mosab não tem meias palavras, é extremamente leal ao que pensa e aos fatos que viu como espião durante anos.
Com um enredo cheio de espionagem policial e situações “entre a vida e a morte”, o livro que não nos faz sentir falta de um romance, traz uma mensagem cheia de esperança: o conflito de povos milenares tem solução, assim como os nossos conflitos pessoais tem solução. E é uma pessoa: Jesus Cristo de Nazaré. O homem que andou pelo Oriente Médio por pouco mais de 30 anos, seus ensinos, suas palavras, sua vida é, irremediavelmente, nossa única solução. fonte revista impacto

quinta-feira, 8 de março de 2012

O QUE É INFANTICÍDIO?

Popularmente usado para se referir ao assassinato de crianças indesejadas, o termo infanticídio nos remete a um problema tão antigo quanto a humanidade, registrado em todo o mundo através da história.

O INFANTICÍDIO ENTRE OS ÍNDIOS:

A violência contra as crianças é uma marca triste da sociedade brasileira, registrada em todas as camadas sociais e em todas as regiões do país. No caso das crianças indígenas, o agravante é que elas não podem contar com a mesma proteção com que contam as outras crianças, pois a cultura é colocada acima da vida e suas vozes são abafadas pelo manto da crença em culturas imutáveis e estáticas.

A cada ano, centenas de crianças indígenas são enterradas vivas, sufocadas com folhas, envenenadas ou abandonadas para morrer na floresta. Mães dedicadas são muitas vezes forçadas pela tradição cultural a desistir de suas crianças. Algumas preferem o suicídio a isso.

Muitas são as razões que levam essas crianças à morte. Portadores de deficiência física ou mental são mortas, bem como gêmeos, crianças nascidas de relações extra-conjugais, ou consideradas portadoras de má-sorte para a comunidade. Em algumas comunidades, a mãe pode matar um recém-nascido, caso ainda esteja amamentando outro, ou se o sexo do bebê não for o esperado. Para os mehinaco (Xingu) o nascimento de gêmeos ou crianças anômalas indica promiscuidade da mulher durante a gestação. Ela é punida e os filhos, enterrados vivos.

É importante ressaltar que não são apenas recém-nascidos as vítimas de infanticídio. Há registros de crianças de 3, 4, 11 e até 15 anos mortas pelas mais diversas causas.

Segundo o Relatório do Centro de Investigação da UNICEF, em Florença, Madrid, fevereiro de 2004, “as crianças indígenas fazem parte dos grupos mais vulneráveis e marginalizados do mundo, por isso é urgente agir a nível mundial para proteger sua sobrevivência e direitos (…)”

HAKANI, indiazinha que foi livre da morte.

O CASO “HAKANI”, uma menina chamada Sorriso:

Hakani nasceu em 1995, filha de uma índia suruwaha. Seu nome significa sorriso e seu rosto estava sempre iluminado por um sorriso radiante e contagioso. Nos primeiros dois anos de sua vida ela não se desenvolveu como as outras crianças – não aprendeu a andar nem a falar. Seu povo percebeu e começou a pressionar seus pais para matá-la. Seus pais, incapazes de sacrificá-la, preferiram se suicidar, deixando Hakani e seus 4 irmãos órfãos.

A responsabilidade de sacrificar Hakani agora era de seu irmão mais velho. Ele levou-a até a capoeira ao redor da maloca e a enterrou, ainda viva, numa cova rasa. O choro abafado de Hakani podia ser ouvido enquanto ela estava sufocada debaixo da terra.

Em muitos casos, o choro sufocado da criança continua por horas até cair finalmente um profundo silêcio – o silêncio da morte.

Mas para Hakani, esse profundo silêncio nunca chegou. Alguém ouviu seu choro, arrancou-a do túmulo, e colocou nas mãos de seu avô, que por sua vez levou-a para sua rede. Mas, como membro mais velho da família, ele sabia muito bem o que a tradição esperava dele. O avô de Hakani tomou seu arco e flecha e apontou para ela. A flechada errou o coração, mas perfurou seu ombro. Logo em seguida, tomado por culpa e remorso, ele atentou contra a própria vida, ingerindo uma porção do venenoso timbó. Para Hakani, ainda não era a hora de cair o profundo silêncio; mais uma vez ela sobreviveu.

Hakani, tinha apenas dois anos e meio de idade e passou a viver como se fosse uma amaldiçoada. Por três anos ela sobreviveu bebendo água de chuva, cascas de árvore, folhas, insetos, a ocasionalmente algum resto de comida que seu irmão conseguia para ela. Além do abandono, ela era física e emocionalmente agredida. Com o passar do tempo Hakani foi perdendo seu sorriso radiante e toda sua expressão facial. Mesmo assim o profundo silêncio não caiu sobre ela. Finalmente foi resgatada por um de seus irmãos, que a levou até a casa de um casal de missionários que por mais de 20 anos trabalhava com povo suruwahá.

Esse casal logo percebeu que Hakani estava terrivelmente desnutrida e muito doente. Com cinco anos de idade ela pesava 7 quilos e media apenas 69 centímetros. Eles começaram a cuidar de Hakani como se ela fosse sua própria filha. Eles cuidaram dela por um tempo na floresta, mas sabiam que sem tratamento médico ela morreria. Para salvar sua vida, eles pediram ao governo permissão para levá-la para a cidade.

Em apenas seis meses recebendo amor, cuidados e tratamento médico, Hakani começou a andar e falar. Aquele sorriso radiante voltou a iluminar seu rosto. Em um ano seu peso e sua altura simplesmente dobraram. Hoje Hakani tem 12 anos, adora dançar e desenhar. Sua voz, antes abafada e quase silenciada, hoje canta bem alto – uma voz pela vida.

Um filme foi feito sobre essa história, dirigido por David Cunningham, filho do fundador da JOCUM, uma organização missionária norte-americana, mas uma crise surgiu quando a ONG Survival International, sediada em Londres, divulgou uma nota em que acusa os autores do filme de incitar o ódio racial contra os índios brasileiros.

AÇÕES DIRETAS SOBRE O ASSUNTO:

O infanticídio entre indígenas é um tema que já gerou documentários, projetos de leis e muita polêmica em torno de saúde pública, cultura, religião e legislação, mesmo assim, é ainda utilizado por volta de 20 etnias entre as mais de 200 do Brasil.

A quantidade de índios mortos por infanticídio no país é uma incógnita. Nos dados da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) sobre mortalidade infantil indígena, esse número aparece somado a óbitos causados por “lesões, envenenamento e outras consequências de causas externas”. Esse grupo responde por 0,4% do total das mortes de menores de um ano de idade, segundo os últimos dados disponíveis da Funasa, de 2006

Tramitando no Congresso, a Lei Muwaji (em homenagem à índia que enfrentou a tribo para salvar sua filha com paralisia cerebral) estabelece que “qualquer pessoa” que saiba de casos de uma criança em situação de risco e não informe às autoridades responderá por crime de omissão de socorro. A pena vai de um a seis meses de detenção ou multa.

A proposta é polêmica entre índios e não índios. Há quem argumente que o infanticídio é parte da cultura indígena. Outros afirmam que o direito à vida, previsto no artigo 5º da Constituição, está acima de qualquer questão.

Segundo a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) está de acôrdo com essa prática, em nome do respeito à “cultura indígena” e uma vez que o próprio governo, a quem a FUNAI serve, quer legalizar o aborto no Brasil, compreende-se que a FUNAI seja a favor do infanticídio em nome do “respeito à cultura indígena”, pois o aborto é simplesmente infanticídio pré-natal.

QUEBRANDO O SILÊNCIO:

O momento é de mudança de atitudes. Algumas mulheres indígenas resolveram abrir a boca sobre esse assunto, tão polêmico e ao mesmo tempo tão doloroso para elas. A partir da iniciativa dessas mulheres, o tabu começou a ser quebrado e a mídia nacional vem veiculando diversas matérias sobre o assunto (Revistas Consulex – outubro 2005, Problemas Brasileiros, do SESC/SP de maio-junho 2007; Cláudia, julho de 2007; Veja, agosto 2007, dentre outras).

Um documentário sobre o assunto com o título de “Quebrando o Silêncio” (http://www.hakani.org/pt/quebrando_silencio.asp), aborda o infanticídio a partir do depoimento dos próprios indígenas. Reúne relatos de parentes de vítimas, de agressores e de sobreviventes. São ouvidos, ainda, antropólogos, advogados, religiosos, indigenistas e educadores.

Espera-se que este material ofereça dados suficientes para que se possa pelo menos tomar uma decisão importante. A decisão de levar essa discussão adiante – ouvir, discutir, refletir, com imparcialidade, e criar condições para que as comunidades indígenas possam resolver os conflitos que causam o infanticídio. Que, pelo menos por um momento, possamos silenciar ideologias e paixões e ouvir com empatia a voz de mulheres que se cansaram de enfrentar sozinhas essa dor. Que possamos tomar a decisão responsável de quebrar o silêncio sobre o infanticídio.

COMO ENVOLVER-SE?

ENVOLVA-SE PARTICIPANDO DA CAMPANHA PELA LEI MUWAJI, acesse:

http://www.hakani.org/pt/envolva_se.asp

Faça o download do livro eletrônico “INFANTICÍDIO INDÍGENA: A TRAGÉDIA SILENCIADA”, de Raymond de Souza, que visa alertar os brasileiros, especialmente as autoridades civis e religiosas, a fim de que façam um compromisso com a Cultura da Vida e trabalhem para acabar com o infanticídio em nossas tribos indígenas.

http://saintgabriel-international.com/infanticidio.htm#ebook

Fontes: